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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Eckhart Tolle - "O teu karma é a tua mente"


A voz na cabeça tem vida própria. A maioria das pessoas está sob a vontade dessa voz; estão possuídos pelo pensamento, pela mente. E como a mente está condicionada pelo passado, vocês também estão obrigados a voltar ao passado, uma e outra vez.

Isto é o que no Oriente se chama Karma. Quando alguém se identifica com essa voz, não está consciente disso. Se estivesse já não poderia ser possuído, porque só pode ser possuído aquele que confunde a entidade que o possui consigo mesmo, ou quando se converte nessa entidade.


Durante milênios a Humanidade aumentou esta possessão mental, ao ignorar que a entidade possessiva não é o “EU”. Através duma total identificação com a mente, apareceu um falso sentido do Eu – o ego. A densidade do ego depende do grau no qual vós – a consciência – vos identificais com a vossa mente, com o vosso pensamento. O pensamento não é mais que um pequeno aspecto da totalidade da consciência, a totalidade que quem sois.

O grau de identificação com a mente muda de uma pessoa para outra. Algumas pessoas desfrutam da liberdade da sua mente durante alguns períodos ainda que breves. E a paz, a alegria e a vivacidade que experimentam nesses momentos fazem que a vida valha a pena. Estes são também os momentos nos quais a criatividade, o amor e a compaixão sobem à superfície.


Outros estão constantemente presos ao estado de egoísmo. Estão alienados de si próprios, tal como dos demais e do mundo que os rodeia. Quando vós os vedes, podeis notar a tensão nos seus rostos, talvez a fronte franzida, ou uma expressão ausente nos seus olhos. A maior parte da sua atenção está absorta no pensamento e portanto, não vos vêem realmente e tão-pouco vos escutam realmente. Não estão presentes em nenhuma situação, porque a sua atenção está no passado ou no futuro, que por suposto só existe na sua mente como forma de pensamento. Ou então relacionam-se convosco através de algum tipo de personagem do jogo que estão a jogar e portanto não são eles próprios. A maioria das pessoas estão alienadas desde o seu interior e alguns num grau tal, que a forma em que se comportam e interagem é reconhecida pelos demais, como uma grande falsidade, excepto por parte dos que são igualmente falsos, e igualmente alienados como eles.


A alienação significa que não vos sentis cômodos em nenhuma situação, em nenhum lugar ou com nenhuma pessoa, nem sequer convosco próprios. Estais sempre a tentar ir para “casa”, mas nunca vos sentis em casa. Alguns dos grandes escritores do século XX, tais como: Franz Kafka, Alberto Camus, T.S.Elliot e James Joyce reconheceram a alienação como sendo o dilema universal da existência humana. Provavelmente sentiram-na mais profundamente dentro de si próprios e por isso foram capazes de expressá-la de maneira brilhante nas suas obras. Eles não oferecem soluções. A sua contribuição consiste apenas em mostrar-nos um reflexo do infortúnio e sofrimento humanos para que possamos vê-los mais claramente.


Ver o infortúnio e o sofrimento próprios com clareza é o primeiro passo para poder superá-los. Porém, enquanto esperam que algo significativo suceda nas vossas vidas, podem não perceber que a coisa mais significativa que pode ocorrer a um ser humano, já ocorreu dentro de vós: o começo do processo de separação do pensamento e a percepção.



Extrato do livro de Eckhart Tolle, “A New Earth”
Autor: Eckhart Tolle / http://www.eckharttolle.com/

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segunda-feira, 14 de março de 2016

Eckhart Tolle - "O poder verdadeiro"



Recomendo que faça esta experiência de tempos a tempos.

Por exemplo, quando alguém o criticar, o acusar ou o ofender, em vez de retaliar imediatamente ou de se defender – não faça nada. Deixe a sua autoimagem permanecer diminuída e fique alerta ao que sente lá no fundo quando procede desta forma. Durante alguns segundos, é capaz de se sentir desconfortável, como se tivesse encolhido de tamanho. Depois, é provável que sinta uma grandeza interior que parece intensamente viva. Você não foi de todo diminuído. Na realidade, ficou maior. Pode então chegar a uma conclusão espantosa: quando você é, de alguma forma, aparentemente diminuído e permanece numa não-reação absoluta, ao tornar-se menos acaba por se transformar em mais.

Quando deixa de defender ou tentar reforçar a forma de si próprio, você dá um passo para fora da identificação com a forma, através da sua autoimagem mental. Ao tornar-se menos (segundo a percepção do ego), você passa de fato por uma expansão e dá espaço ao Ser para este tomar a dianteira. O verdadeiro poder, quem você é para além da forma, pode então brilhar através da forma aparentemente enfraquecida. É isto que Jesus quer dizer nas afirmações que se seguem: Nega-te a ti próprio, ou Dá a outra face.

Eckhart Tolle


Autor: Eckhart Tolle / http://www.eckharttolle.com/

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Eckhart Tolle - "A Presença Observadora"



Ao observarmos a nós mesmos, um maior grau de presença surge automaticamente em nossas vidas. No momento em que percebemos que não estamos presentes, estamos presentes. Sempre que formos capazes de observar nossas mentes, deixamos de estar aprisionados. Um outro fator surgiu, algo que não pertence à mente: a presença observadora.

Esteja presente como alguém que observa a mente e examine seus pensamentos, suas emoções, assim como suas reações em diferentes circunstâncias. Concentre seu interesse não só nas reações, mas também na situação ou na pessoa que leva você a reagir.


Preste atenção ao pensamento, sinta a emoção, observe a reação. Não veja nada como um problema pessoal. Sentirá então algo muito mais poderoso do que todas aquelas outras coisas que você observa, uma presença serena e observadora por trás do conteúdo da sua mente: o observador silencioso.


Uma presença intensa se faz necessária quando certas situações provocam uma reação de grande carga emocional, como, por exemplo, no momento em que acontece uma ameaça à nossa auto-imagem, um desafio na vida que nos cause medo, quando as coisas "vão mal" ou quando um complexo emocional do passado vem à tona.


Nessas situações, tendemos a nos tornar "inconscientes". A reação ou a emoção nos domina, "passamos a ser" ela. Passamos a agir como ela. Arranjamos uma justificativa, erramos, agredimos, defendemos... só que não somos nós e sim uma reação padronizada, a mente em seu estado habitual de sobrevivência. 


Identificar-se com a mente dá a ela mais energia, enquanto observar a mente retira a sua energia.


Identificar-se com a mente gera mais tempo, enquanto observar a mente revela a dimensão do tempo infinito. A energia retirada da mente se transforma em presença. No momento em que conseguimos sentir o que significa estar presente, fica muito mais fácil escolher simplesmente escapar da dimensão do tempo e entrar mais profundamente no Agora.


Isso não prejudica nossa capacidade de usar o tempo — passado ou futuro — quando precisamos nos referir a ele em termos práticos. Nem prejudica nossa capacidade de usar a mente. Na verdade, estar presente aumenta a capacidade. Quando você usar a mente de verdade, ela estará mais alerta, mais focalizada.


O passado se perpetua pela falta de presença. O que dá forma ao futuro é a qualidade da nossa percepção do momento presente, e o futuro, é claro, só pode ser vivenciado no presente.


Se é a qualidade de nossa percepção neste momento que determina o futuro, então o que é que determina a qualidade de nossa consciência? O nosso grau de presença. Portanto, o único lugar onde pode ocorrer uma mudança verdadeira e onde o passado pode se dissolver é no Agora. 


O desconforto, a ansiedade, a tensão, o estresse, a preocupação, todas essas formas de medo são causadas por excesso de futuro e pouca presença. A culpa, o arrependimento, o ressentimento, a injustiça, a tristeza, a amargura, todas as formas de incapacidade de perdão são causadas por excesso de passado e pouca presença.


Não há salvação dentro do tempo. Você não pode se libertar no futuro. A presença é a chave para a liberdade. Portanto, você só pode ser livre Agora.


Você não pode estar infeliz e completamente presente no Agora, ao mesmo tempo.


Caso apareça uma situação com a qual você precise lidar agora, a sua ação vai ser clara e objetiva, se conseguir perceber o momento presente. Tem muito mais chances de dar certo. Não será uma reação vinda do condicionamento da sua mente no passado, mas sim, uma resposta intuitiva à situação. Em situações em que a mente teria reagido, você vai achar mais eficaz não fazer nada. Fique só centrado no Agora.


Ao fim dessa luta compulsiva com o Agora, a alegria do Ser passa a fluir em tudo o que fazemos. No momento em que a nossa atenção se volta para o agora, percebemos uma presença, uma serenidade, uma paz. Não dependemos mais do futuro para obtermos plenitude e satisfação, não o olhamos mais como salvação.


Quando cada célula do nosso corpo está tão presente que vibra com a vida, e quando conseguimos sentir essa vida a cada momento como alegria do Ser, podemos dizer que estamos livres do tempo.


Perder o Agora é perder o Ser.


Saber que você não está presente já é um grande sucesso. O simples saber já é presença — mesmo que, no início, dure só alguns segundos no tempo do relógio antes de desaparecer outra vez. Depois, com uma frequência cada vez maior, você escolhe dirigir o foco da consciência para o momento presente. Você se torna capaz de ficar presente por períodos mais longos.


Portanto, antes que sejamos capazes de nos estabelecer com firmeza no estado de presença, oscilamos, periodicamente, de um lado para o outro, entre a consciência e a inconsciência, entre o estado de presença e o estado de identificação com a mente. Perdemos o Agora várias vezes, mas retornamos a ele. Por fim, a presença se torna o estado predominante.


A maioria das pessoas nunca vivencia a presença. Ela acontece apenas de modo breve e acidental, em raras ocasiões, sem ser reconhecida pelo que é. Muitos seres humanos não se alternam entre consciência e inconsciência, mas somente em diferentes níveis de inconsciência.


Chamo de inconsciência comum essa identificação com os nossos processos de pensamentos, e emoções, nossas reações, desejos e aversões. É o estado normal da maioria das pessoas. Nesse estado, somos governados pela mente e não temos consciência do Ser.


Não se trata de um estado de sofrimento agudo ou de infelicidade, mas de um nível baixo e contínuo de desconforto, descontentamento, enfado ou nervosismo, como uma espécie de estática ao fundo.


Talvez você não perceba muito bem essa situação porque ela já faz parte da nossa vida “normal”, da mesma forma que você não percebe o barulho contínuo ao fundo, como o zumbido do ar-condicionado, até ele parar. Quando isso acontece de repente, ocorre uma sensação de alívio.


O melhor indicador do nível de consciência é a maneira como você lida com os desafios da vida. É através desses desafios que uma pessoa já inconsciente tende a se tornar mais profundamente inconsciente, e uma pessoa consciente a se tornar intensamente consciente. Podemos nos valer de um desafio para nos acordar ou para permitir que ele nos empurre para um sono mais profundo. O sonho do nível da inconsciência comum se transforma, então, em pesadelo.


Se você não consegue estar presente mesmo em situações normais, como, por exemplo, quando está sozinho em uma sala, caminhando no campo ou ouvindo alguém, certamente não será capaz de permanecer consciente quando alguma coisa ‘vai mal’. Será dominado por uma reação, que é sempre, em última análise, alguma forma de medo, e empurrado para uma inconsciência profunda.


Esses desafios são os seus testes. Só o modo como você lida com eles mostrará onde você está no que se refere ao seu estado de consciência, e não a quantidade de horas que você consegue ficar sentado com os olhos fechados.


Portanto, é fundamental colocar mais consciência em sua vida durante as situações comuns, quando tudo está correndo de modo relativamente tranquilo. É assim que se aumenta o poder de presença. Ele gera um campo energético de alta frequência vibracional em você e ao seu redor.


Nenhuma inconsciência, nenhuma negatividade, nenhuma discórdia ou violência pode penetrar nesse campo e sobreviver, do mesmo modo que a escuridão não consegue sobreviver na presença da luz.


Quando ficamos mais conscientes do presente, podemos ter um insight sobre o porque de determinados condicionamentos. Podemos perceber, por exemplo, se seguirmos algum padrão nos nossos relacionamentos e podemos ver mais claramente coisas que aconteceram no passado.


Fazer isso é bom e pode ser útil, mas não é o essencial. O que é essencial é a nossa presença consciente. Ela dissolve o passado. Ela é o agente transformador. Portanto, não procure entender o passado, mas esteja presente tanto quanto conseguir. O passado não consegue sobreviver diante da sua presença, só na sua ausência.


Sempre que observamos a mente, livramos a consciência das formas da mente, criando aquilo que chamamos o observador ou a testemunha. Consequentemente, o observador — que é a pura consciência além da forma — se torna mais forte, e as formações mentais se tornam mais fracas.


Quando falamos sobre observar a mente, estamos personalizando um fato de verdadeiro significado cósmico porque, através de você, a consciência está despertando do seu sonho de identificação com a forma e se retirando da forma. Isso é o prenúncio — e também parte — de um acontecimento que provavelmente ainda está num futuro distante, no que diz respeito ao tempo cronológico. Esse conhecimento é conhecido como o fim do mundo.


Eckhart Tolle


Autor: Eckhart Tolle / http://www.eckharttolle.com/

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Eckhart Tolle - "Tu não é os seus sentimentos"



 “Estou triste. Quem percebe isso? Estou com medo. Quem percebe isso? Tu és a pessoa que percebe isso. Tu não é os seus sentimentos”.

“No estado de calma e consciência, se precisar da mente para um fim prático, ela estará presente. Na verdade a mente funciona muito bem quando a inteligência maior e real que és tu,  se expressa através dela, como uma ferramenta.”

“Aprenda a sentir-se à vontade dentro do não-saber. A mente teme o não-saber, mas um conhecimento mais profundo que não é baseado em qualquer conceito vai emergir desse estado”.

“A mente está sempre querendo alimentar-se para continuar pensando. Ela procura alimento para a sua própria identidade, para o seu sentido de ser. É assim que o ego se cria e recria continuamente”.

“Tu das-te conta de que esse ego é fugaz e passageiro? Quem percebe isso? É o Eu-Sou. Esse é o seu "eu" mais profundo, que não tem nada a ver com o passado e o futuro. Quando se dá conta de que existe uma voz na sua cabeça que pretende ser a tua pessoa e não pára de falar, percebe que vem-se identificando com a corrente do pensamento. Quando percebe a existência dessa voz, compreende que não é essa voz, mas a pessoa que a percebe. Ter liberdade é saber que você é a consciência por trás dessa voz.”

“Ao concentrar toda sua atenção ao momento presente, uma inteligência muito superior à inteligência da mente autocentrada entra no comando da sua vida. Sua ação presente torna-se não só muito mais eficaz, como infinitamente mais satisfatória e gratificante”.

“Ao viver através do ego, faz do momento presente apenas um meio para atingir um fim. Vive em função do futuro, mas quando atingem os seus objetivos eles não te satisfazem. Ou pelo menos não por muito tempo.”

“Quase todo ego tem o que podemos chamar de “identidade da vítima”. Muitas pessoas se vêem de tal forma como vítimas, que essa imagem se torna o ponto central de seu ego. Mesmo que as mágoas sejam muito “justas”, ao assumir a identidade de vítima, cria uma prisão cujas grades são feitas de formas obsessivas de pensar. Veja o que está fazendo consigo mesmo, ou melhor: Veja o que sua mente está fazendo consigo. Sinta a ligação emocional que tem com a sua história de vítima e perceba sua compulsão de pensar e falar a respeito dela. Ao perceber isso, a transformação e a liberdade virão.”

“Reclamar e reagir são as formas preferidas da mente para fortalecer o ego. O eu autocentrado precisa do conflito para fortalecer sua identidade. Ao lutar contra algo ou alguém, ele demonstra pra si mesmo que “isto sou eu” e “aquilo não sou eu”. É comum que países procurem fortalecer sua sensação de identidade coletiva colocando-se em oposição aos seus inimigos.”

“A inveja é um subproduto do ego que se sente diminuído quando algo de bom acontece com outra pessoa, ou ela possui mais, sabe mais, ou tem mais poder do que ele. A identidade do ego depende da comparação. Ela agarra-se a qualquer coisa +procurando o “mais”, e quando nada disso funciona, a mente fortalece o seu ego considerando-se “mais” injustamente tratada pela vida, “mais” doente ou “mais” infeliz do que os outros.”

“O ego precisa estar em conflito com alguém ou com alguma coisa. Isso explica por que, apesar de querer paz, alegria e amor, não consegue suportá-los por muito tempo. Diz que quer ser feliz, mas está viciado em ser infeliz. Essa infelicidade não vem dos factos da sua vida, mas do condicionamento da sua mente.”

“A culpa é outra maneira que o ego tem para criar uma identidade, mesmo que essa identidade seja negativa. O que fez ou deixou de fazer foi uma manifestação da sua inconsciência na época, o que é natural da condição humana. Mas o ego personifica a situação e diz “Eu fiz tal coisa”, e assim cria uma imagem de si mesmo como ruim, falho e insuficiente. As palavras de Cristo: “Perdoai-os, Senhor, pois eles não sabem o que fazem” podem ser usadas em relação a si."

Eckhart Tolle - Do Livro "O Poder do Silêncio"


Autor: Eckhart Tolle  / http://www.eckharttolle.com/
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Eckhart Tolle - "Estratégias da mente para evitar o agora"



A PERDA DO AGORA: A ILUSÃO CENTRAL

Mesmo que eu aceite que o tempo é uma ilusão, que diferença isso fará na minha vida?  Tenho que continuar a viver em um mundo absolutamente dominado pelo tempo.

O entendimento intelectual é apenas mais uma crença e não vai fazer muita diferença para a nossa vida. Para perceber essa verdade temos que vivenciá-la. Quando cada célula do nosso corpo está tão presente que vibra com a vida e, quando conseguimos sentir essa vida a cada momento como a alegria do Ser, podemos dizer que estamos livres do tempo.

Mas ainda tenho de pagar as contas e sei que vou envelhecer e morrer, exatamente como todas as pessoas. Como posso dizer que estou livre do tempo? As contas de amanhã não são um problema. A degeneração do corpo não é um problema.

A perda do Agora é o problema, ou melhor, a ilusão central que transforma uma situação simples, um acontecimento ou uma emoção, em um problema pessoal e em sofrimento. Perder o Agora é perder o Ser.

Livrar-se do tempo é livrar-se da necessidade psicológica tanto do passado quanto do futuro. Isso representa a mais profunda transformação de consciência que você possa imaginar.

Em casos muito raros, essa mudança na consciência acontece de forma drástica e radical, de uma vez por todas. Quando isso acontece, normalmente é através de uma completa rendição, em meio a um sofrimento intenso. Muitas pessoas, entretanto, têm de trabalhar para obtê-la.

Depois dos primeiros vislumbres do estado atemporal de consciência, passamos a viver em um vaivém entre a dimensão do tempo e a presença.

Primeiro, você começa a perceber que a sua atenção raramente está no Agora.

Entretanto, saber que você não está presente já é um grande sucesso.

O simples saber já é presença – mesmo que, no início, dure só alguns segundos no tempo do relógio antes de desaparecer outra vez.

Depois, com uma frequência cada vez maior, você escolhe dirigir o foco da consciência para o momento presente. Você se torna capaz de ficar presente por períodos mais longos.

Portanto, antes que sejamos capazes de nos estabelecer com firmeza no estado de presença, oscilamos, periodicamente, de um lado para o outro, entre a consciência e a inconsciência, entre o estado de presença e o estado de identificação com a mente.

Perdemos o Agora várias vezes, mas retornamos a ele. Por fim, a presença se torna o estado predominante.

A maioria das pessoas nunca vivencia a presença. Ela acontece apenas de modo breve e acidental, em raras ocasiões, sem ser reconhecida pelo que é. Muitos seres humanos não se alternam entre a consciência e a inconsciência, mas somente entre diferentes níveis de inconsciência.

A INCONSCIÊNCIA COMUM E A INCONSCIÊNCIA PROFUNDA

O que você quer dizer com diferentes níveis de inconsciência?

Como você provavelmente sabe, o ser humano se desloca constantemente entre fases do sono em que sonha e que não sonha. Da mesma forma, a maioria das pessoas, quando acordada, se alterna entre a inconsciência comum e a inconsciência profunda.

Chamo de inconsciência comum essa identificação com os nossos processos de pensamentos e emoções, nossas reações, desejos e aversões. É o estado normal da maioria das pessoas. Nesse estado, somos governados pela mente e não temos consciência do Ser.

Não se trata de um estado de sofrimento agudo ou de infelicidade, mas de um nível baixo e contínuo de desconforto, descontentamento, enfado ou nervosismo, como uma espécie de estática ao fundo.

Talvez você não perceba muito bem essa situação porque ela já faz parte da nossa vida “normal”, da mesma forma que você não percebe um barulho contínuo ao fundo, como o zumbido do ar condicionado, até ele parar. Quando isso acontece de repente, ocorre uma sensação de alívio.

Muitas pessoas usam a bebida, as drogas, o sexo, a comida, o trabalho, a televisão, ou até mesmo o ato de fazer compras como anestésicos, em uma tentativa inconsciente para acabar com esse desconforto básico.

Quando isso acontece, uma atividade que poderia ser muito agradável, se feita com moderação, passa a ter um componente de compulsão ou dependência e tudo o que se obtém sob essa influência traz uma sensação de alívio por um período extremamente curto.

A sensação de desconforto da inconsciência comum se transforma no sofrimento da inconsciência profunda, ou seja, um estado de sofrimento ou infelicidade mais agudo e mais percetível quando as coisas “vão mal”, quando o ego é ameaçado ou quando existe um desafio maior, tal como uma perda real ou imaginária em nossa situação de vida, ou um conflito numa relação.

A inconsciência profunda é uma versão ampliada da inconsciência comum, da qual difere na intensidade, mas não na espécie.

Na inconsciência comum, uma resistência habitual, ou uma negação daquilo que é, cria um desconforto que a maioria das pessoas aceita como algo normal. Quando essa resistência se intensifica através de algum desafio ou ameaça ao ego, faz aflorar uma negatividade intensa que se manifesta sob a forma de raiva, medo profundo, agressão, depressão, etc.

A inconsciência profunda significa, com frequência, que o sofrimento começou e que você passou a se identificar com ele.

A violência física não aconteceria sem o estado de inconsciência profunda. Ela pode explodir com facilidade quando as pessoas geram um campo coletivo de energia negativa.

O melhor indicador do nível de consciência é a maneira como você lida com os desafios da vida. É através desses desafios que uma pessoa já inconsciente tende a se tornar mais profundamente inconsciente, e uma pessoa consciente a se tornar mais intensamente consciente.

Podemos nos valer de um desafio para nos acordar ou para permitir que ele nos empurre para um sono ainda mais profundo. O sonho no nível da inconsciência comum se transforma, então, em pesadelo.

Se você não consegue estar presente mesmo em situações normais, como, por exemplo, quando está sozinho em uma sala, caminhando no campo ou ouvindo alguém, certamente não será capaz de permanecer consciente quando alguma coisa “vai mal”. Será dominado por uma reação, que é sempre, em última análise, alguma forma de medo, e empurrado para uma inconsciência profunda.

Esses desafios são os seus testes. Só o modo como você lida com eles lhe mostrará onde você está no que se refere ao seu estado de consciência - e não a quantidade de horas que você consegue ficar sentado com os olhos fechados.

Portanto, é fundamental colocar mais consciência em sua vida durante as situações comuns, quando tudo está correndo de modo relativamente tranquilo. É assim que se aumenta o poder de presença. Ele gera um campo energético de alta frequência vibracional em você e ao seu redor.

Nenhuma inconsciência, nenhuma negatividade, nenhuma discórdia ou violência pode penetrar nesse campo e sobreviver, do mesmo modo que a escuridão não consegue sobreviver na presença da luz.


Trechos do livro "O Poder do Agora" de Eckhart Tolle
Autor: Eckhart Tolle 
Fonte primária: http://www.eckharttolle.com/
Fonte secundária: De Coração a Coração
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domingo, 12 de julho de 2015

Eckhart Tolle - "Você atrái o que você é"



Quem nós pensamos que somos está intimamente ligado a como nos consideramos tratados pelos outros.

Muitas pessoas se queixam de que não recebem um tratamento bom o bastante. “Não me tratam com respeito, atenção, reconhecimento, consideração. Tratam-me como se eu não tivesse valor”, elas dizem.


Quando o tratamento é bondoso, elas suspeitam de motivos ocultos. “Os outros querem me manipular, levar vantagem sobre mim. Ninguém me ama.”


Quem elas pensam que são é isto: “Sou um pequeno eu’ carente cujas necessidades não estão sendo satisfeitas.”


Esse erro básico de percepção de quem elas são cria um distúrbio em todos os seus relacionamentos. Esses indivíduos acreditam que não têm nada a dar e que o mundo ou os outros estão ocultando delas aquilo de que precisam.


Toda a sua realidade se baseia num sentido ilusório de quem elas são. Isso sabota situações, prejudica todos os relacionamentos. Se o pensamento de falta – seja de dinheiro, reconhecimento ou amor – se tornou parte de quem pensamos que somos, sempre experimentaremos a falta.

Em vez de reconhecermos o que já há de bom na nossa vida, tudo o que vemos é carência.


Detectarmos o que existe de positivo na nossa vida é a base de toda a abundância. O fato é o seguinte: seja o que for que nós pensemos que o mundo está nos tirando é isso que estamos tirando do mundo. Agimos assim porque no fundo acreditamos que somos pequenos e que não temos nada a dar.


Se esse for o seu caso, experimente fazer o seguinte por duas semanas e veja como sua realidade mudará: dê às pessoas qualquer coisa que você pense que elas estão lhe negando – elogios, apreço, ajuda, atenção, etc. Você não tem isso? Aja exatamente como se tivesse e tudo isso surgirá. Logo depois que você começar a dar, passará a receber.


Ninguém pode ganhar o que não dá. O fluxo de entrada determina o fluxo de saída. Seja o que for que você acredite que o mundo não está lhe concedendo você já possui. Contudo, a menos que permita que isso flua para fora de você, nem mesmo saberá que tem. Isso inclui a abundância.


A lei segundo a qual o fluxo de saída determina o fluxo de entrada é expressa por Jesus nesta imagem marcante: “Dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada, sacudida e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também.”


A fonte de toda a abundância não está fora de você. Ela é parte de quem você é.


Entretanto, comece por admitir e reconhecê-la exteriormente. Veja a plenitude da vida ao seu redor. O calor do sol sobre sua pele, a exibição de flores magníficas num quiosque de plantas, o sabor de uma fruta suculenta, a sensação no corpo de toda a força da chuva que cai do céu.


A plenitude da vida está presente a cada passo. Seu reconhecimento desperta a abundância interior adormecida. Então permita que ela flua para fora. Só fato de você sorrir para um estranho já promove uma mínima saída de energia. Você se torna um doador. Pergunte-se com frequência: “O que posso dar neste caso? Como posso prestar um serviço a esta pessoa nesta situação?”  


Você não precisa ser dono de nada para perceber que tem abundância. Porém, se sentir com frequência que a possui, é quase certo que as coisas comecem a acontecer na sua vida. Ela só chega para aqueles que já a têm.


Parece um tanto injusto, mas é claro que não é. É uma lei universal. Tanto a fartura quanto a escassez são estados interiores que se manifestam como nossa realidade. Jesus fala sobre isso da seguinte maneira: “Pois, ao que tem, se lhe dará; e ao que não tem, se lhe tirará até o que não tem” 


Eckhart Tolle


Autor: Eckhart Tolle  / http://www.eckharttolle.com/
Fonte primária: Penso Positivo
Fonte secundária: De Coração a Coração

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terça-feira, 12 de maio de 2015

Eckhart Tolle - "Retardando o processo de envelhecimento"


Nesse meio tempo, a percepção do corpo interior traz outros benefícios no campo físico. Um deles é uma significativa redução do processo de envelhecimento do corpo físico.

Enquanto o corpo exterior, em geral, aparenta estar envelhecendo e murchando bem rapidamente, o corpo interior não muda com o tempo, exceto que podemos senti-lo mais profundamente e torná-lo mais completo.


Se você tem vinte anos agora, o campo de energia do seu corpo interior vai se sentir igual ao de quando você tiver oitenta. Estará vibrantemente vivo.


Assim que o nosso estado habitual passa do estar fora do corpo e preso pela mente - para estar no corpo e presente no Agora, o nosso corpo físico fica mais leve, mais claro, mais vivo. Como existe mais consciência no corpo, a ilusão da materialidade diminui.

Quando nos identificamos mais com o corpo interior do que com o corpo exterior, quando o estado de Presença se torna o nosso modo normal de consciência, deixamos de acumular tempo na nossa psique e nas células do corpo.


O acúmulo do tempo, tal como um fardo psicológico do passado e do futuro, prejudica a capacidade de auto-renovação das células. Portanto, se você ocupa o seu corpo interior, o exterior vai envelhecer em um ritmo mais lento. E, mesmo quando envelhecer, a sua essência eterna vai brilhar através da sua forma exterior e você não dará a impressão de ser uma pessoa idosa.


(...)


Se você encontrar dificuldades de entrar em contato com o seu corpo interior, é mais fácil, em primeiro lugar, concentrar a atenção no movimento da respiração.


Tomar consciência da respiração, que já é uma meditação poderosa, irá, aos poucos, colocar você em contato com o corpo. Observe atentamente a respiração, como ela entra e sai do nosso corpo. Respire e sinta o abdômen inflar e contrair-se levemente, a cada inspiração e expiração.


Se você tiver facilidade para visualizar, feche os olhos e veja-se no meio da luz, dentro de um mar de consciência. Então, respire dentro dessa luz. Sinta essa substância luminosa preenchendo todo o seu corpo e tornando-o luminoso.


Então, aos poucos, concentre-se nessa sensação. Você agora está dentro do seu corpo. Não se fixe em nenhuma imagem visual.

Trecho do livro "O Poder do Agora" - Eckhart Tolle
Autor: Eckhart Tolle / http://www.eckharttolle.com/
Fonte secundária: De Coração a Coração
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