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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Gerrit Gielen - "UMA VISÃO ESPIRITUAL DO ENVELHECIMENTO"



Se você aceitar o que a mídia fala sobre envelhecer, poderá achar que isso é a pior coisa que pode acontecer a um ser humano. Para a sociedade em geral, uma população idosa é considerada um desastre. Lares para idosos lotados, cuidados com a saúde inacessíveis, demência e deterioração geral é o que vem sendo associado com o envelhecimento. Todos nós estamos envelhecendo. A cada segundo que passa, perdemos um pouco da nossa juventude. Este é um processo natural, ao qual todas as criaturas vivas estão sujeitas. Como foi que chegamos ao ponto de abominar um processo tão natural? Existe algo de errado com a natureza? Ou existe algo de errado em nós, com a nossa maneira de pensar sobre o envelhecimento?

Como será que as próprias pessoas idosas se sentem em relação à “tão temida” velhice?

Pesquisas científicas que medem a felicidade relativa à idade mostram uma curva em forma de U. Pessoas jovens e idosas são as mais felizes. Durante a meia-idade é mais provável que você seja mais infeliz do que quando você é jovem.

As pesquisas mostram que as pessoas idosas são até mais felizes do que as jovens! Como é possível isto? Como pode ser que, apesar do envelhecimento ser associado a tantos problemas, as pessoas geralmente comecem a sentir-se mais felizes assim mesmo? Examinemos o ciclo da vida de um ser humano a partir de uma perspectiva espiritual.

NASCIMENTO: A PERDA DE NÓS MESMOS

Do ponto de vista espiritual, nascer é deixar o reino da alma – uma atmosfera de alegria e paz – e dar um mergulho na matéria. No reino da alma, as restrições de tempo e espaço e o sentimento de separação que experimentamos na Terra não existem. Liberdade é uma dádiva natural. Além disto, tudo ao nosso redor irradia beleza, amor e harmonia; medo e sofrimento estão ausentes.No entanto, em algum momento, nós aceitamos o convite da Mãe Terra para nascer como ser humano. A cada nascimento, nós iniciamos um longo processo de descida e conexão com a atmosfera física. Na literatura antiga, o nascimento de uma alma encarnada é chamado de “o aprisionamento da alma”.

A alma pousa no reino denso e limitador da matéria, no qual cada ser parece separado do outro. A alma tem dificuldade para manter sua vibração natural nesta atmosfera; ela não pertence a este lugar, e só pode sobreviver afastando-se dele regularmente. Este afastamento é o que chamamos de sono, e é essencial não apenas para o nosso corpo, mas para o nosso espírito.Embora o nascimento marque o inicio de uma nova encarnação, nesse momento o processo de descida da alma ainda está longe de ter se completado. A descida continua até por volta dos 40 anos de idade, quando o mergulho na matéria chega ao seu pico: como adulto, você habita totalmente o plano da matéria e a sociedade humana.

Do ponto de vista da sua alma, você está então no ponto mais distante da sua fonte, do reino celeste de onde você veio. Na fase de encarnação mais profunda, a distância da sua origem é a maior. Na infância, o vínculo com a esfera original da alma ainda é forte. As crianças geralmente são intuitivas, espontaneamente alegres e totalmente concentradas no momento presente: estas qualidades são naturais da alma.Desfrutar e explorar a vida de forma alegre e desinibida é natural para a criança, assim como para a alma. Infelizmente, nossa sociedade foi dominada por uma noção distorcida, masculina, da espiritualidade, que não reconhece essas qualidades como espirituais, mas como sinais de imaturidade.

Este retrato pesado e grave da espiritualidade realmente não vem do Cristianismo original. Na Bíblia ainda existem vestígios da perspectiva da alma. Em Marcos 10:14, por exemplo, Jeshua dia: “Deixai vir a mim as criancinhas, não as impeçais, pois elas pertencem ao Reino de Deus.”

PUBERDADE: A DESCIDA

Antes da idade adulta, há uma fase de transição de puberdade, seguida pela juventude. A consciência desce mais profundamente na atmosfera material; a distância da nossa Fonte aumenta. A felicidade e autoconfiança naturais da infância se perdem. Surgem dúvidas e medos; nada mais é tido como garantido e confiável.Haverá rebeldia e incerteza, geralmente relacionadas com o ambiente em que se vive: os pais, a escola, ou a sociedade em geral – tudo isto estará frequentemente sob julgamento crítico.

Inconscientemente, eles levam a culpa da perda que é sentida pelo adolescente e jovem adulto. Mas, essencialmente, sua rebeldia é direcionada ao seu próprio desenvolvimento interior – à descida mais profunda na realidade terrena e uma separação maior da Fonte.No reino da alma, ter um lugar único dentro do todo é um atributo natural. Você não duvida do seu direito a existir e sente intuitivamente qual é o seu papel no esquema maior das coisas. O conhecimento de que o cosmos não está completo sem você, de que você é parte integrante desse todo maior, faz com que se sinta seguro e bem cuidado.

Na puberdade, esta percepção se perde e o resultado é uma crise de identidade.Esta crise pode ser tão massacrante, que alguns jovens tornam-se viciados em drogas ou álcool e, em alguns casos, até cometem suicídio. Tais atos de desespero muitas vezes se originam de um desejo profundo de restabelecer a conexão com a alma.

Felizmente, no entanto, a rebeldia não é a única característica deste período. Puberdade e adolescência constituem também uma fase em que muitos aspectos da vida terrena são explorados com entusiasmo e curiosidade. Você pode começar a se interessar pela natureza, música, literatura, ou explorar ideias novas e provocativas.O interesse nos outros aumenta; você se apaixona pela primeira vez. Talvez o mais importante é que você começa a sentir sua própria originalidade, sua própria individualidade. Cada alma é única e traz suas próprias sementes para a Terra; sementes que germinam durante a infância e emergem do solo durante a adolescência.

Geralmente, nesta fase da vida, surgem pensamentos e sentimentos originais, que terão um impacto durador no seu futuro e tomará forma definitiva na idade adulta.Se tudo correr bem, a perda da infância coincidirá com um período de redescoberta de quem você é, independente dos seus pais e educação. Esta redescoberta garante que, em longo prazo, a rebelião desaparecerá e a corrente da Vida o levará a lugares novos e emocionantes.

A dádiva mais valiosa que se pode oferecer a alguém que esteja passando pela puberdade e juventude é a confiança; confiar que existe um caminho e um lugar para ele neste mundo confuso, independentemente de quão “diferente” ele seja, independentemente de sua aparente incapacidade de se ajustar. É exatamente da sua originalidade e individualidade que o mundo precisa e são elas que guardam a contribuição única da sua alma.

IDADE ADULTA: O PONTO INFERIOR DA NOSSA VIDA

A idade adulta, o ponto alto da vida física é, na visão espiritual, o ponto inferior de nossa vida. A distância do reino da alma – da nossa própria alma – agora é a maior. Nesta fase, estamos no ponto mais distante da nossa origem espiritual; estamos totalmente imersos no reino material e nos identificamos com nossa personalidade humana e nossas conquistas.Durante esta fase, os humanos, em média, são mais infelizes. O mundo físico, com suas leis e restrições, é vivenciado como a única realidade. Muita preocupação se volta para o dinheiro e a propriedade, para o status social e o trabalho duro. Esta fixação faz com que as pessoas se esqueçam mais ainda de si mesmas.

A identificação com o plano físico na idade adulta geralmente é tão forte que a pessoa tende a sentir que isto é tudo que existe, e que a vida gira em torno destas questões. Pode haver a presença de crenças espirituais, mas geralmente estas são derivadas de religiões tradicionais que, em grande parte, são baseadas no medo e dogmas. As religiões tradicionais têm uma imagem distorcida da espiritualidade e geralmente fazem mais mal do que bem.

A coisa mais importante que um adulto pode conseguir, do ponto de vista espiritual, é cultivar as sementes que trouxe para a Terra como alma e permitir que elas cresçam e se transformem em belas flores. Esta é a nossa verdadeira missão, a qual só pode ser cumprida ao permanecermos fieis a nós mesmos, não nos deixando ser arrastados pelas pressões e regras da sociedade.É bastante frequente que esta missão falhe. Na idade adulta, os ideais da adolescência e puberdade, assim como os desejos e sonhos da infância, geralmente são considerados inviáveis e ingênuos. Afinal, eles não se ajustam àquilo que a sociedade parece esperar de nós e considera realístico.

Formas autênticas de auto-expressão que ainda permaneçam podem ser rotuladas de egoístas, irresponsáveis ou até insanas. “Aja normalmente, comporte-se como um adulto responsável!”

Precisamos nos ajustar ao mundo social, caso contrário estaremos fora de lugar… trabalhar 40 horas por semana e tirar três semanas de férias por ano.Lembro-me da tristeza que senti no dia que entrei no jardim da infância. Com quatro anos de idade, eu já podia sentir o que estava planejado para mim: anos e anos de escola e depois trabalho. Ficava me perguntando quando eu voltaria a ser livre. Num teste no final da escola primária, me foi perguntado o que eu gostaria de ser mais tarde na vida, e minha resposta foi “rentista”. Eu só queria ser livre de novo; não queria ser forçado a entrar num sistema que me dissesse o que fazer e o que não fazer.

Felizmente, na minha vida adulta, consegui encontrar um trabalho confortável, em tempo parcial, que me permitia trabalhar não mais do que três dias por semana. Outras pessoas achavam estranho que eu, sendo um homem adulto, não tivesse nenhuma carreira e pouca ambição, e preferisse passear pela natureza, ler livros e ter conversas filosóficas com meus amigos.Só por volta dos quarenta anos fui perceber que era aceitável e até praticável ser tão diferente assim. Transformei meus hobbies (pensar em filosofia e espiritualidade, praticar hipnose) em trabalho. Acabei deixando meu trabalho em tempo parcial. Descobri que podia ser livre, fazer as coisas que eu realmente gostava e viver disso.

A chave era a confiança: ter fé nos talentos originais e exclusivos que minha alma trazia consigo e confiar que a Terra me acolheria e recompensaria por compartilhar esses talentos. Com esta compreensão, comecei o caminho “para cima”, o caminho de volta à minha natureza espiritual.

ENVELHECIMENTO: O CAMINHO “PARA CIMA” NOVAMENTE

Quando envelhecemos, iniciamos o caminho “para cima” de novo, o caminho de volta para a alma. O ponto inferior, em que estávamos totalmente encarnados e identificados com o plano material, passou. Podemos liberar esse foco unilateral, e geralmente somos estimulados a fazer isso pelos desafios que encontramos na vida, ou ao nos confrontarmos com a crescente fragilidade do nosso corpo.Estamos voltando “para cima”, para finalmente retornarmos à Fonte. O movimento natural do envelhecimento é o crescimento em direção à Luz, identificando-nos com a realidade maior da alma em vez de com a realidade limitada do corpo e personalidade. Portanto, de um ponto de vista espiritual, tornamo-nos mais e não menos, quando envelhecemos: sabedoria, confiança e alegria têm mais probabilidade de aumentar.

O ser humano que envelhece natural e honradamente está ciente de que é muito mais do que seu eu terreno; compreende que seu eu verdadeiro se eleva acima dos papéis que ele desempenhou no plano material da Terra.À medida que o apego a esta realidade diminui, ele começa a perceber novamente quem ele realmente é: um ser eterno de Luz viva. Infelizmente, este processo natural e honroso muitas vezes é dificultado por crenças sociais profundamente enraizadas.

Vivemos numa sociedade que, de modo geral, acredita que a realidade física é tudo o que existe, que não há nenhum eu verdadeiro além do eu terreno e, portanto, envelhecer é uma coisa ruim. As pessoas se tornaram completamente identificadas com a personalidade e o corpo físicos. O envelhecimento é associado à perda e decadência, a um movimento em direção ao nada.Assim, muitas pessoas se opõem ao próprio processo de envelhecimento, e esta resistência interrompe a ascensão natural em direção à alma, a mais alegria e luz. Resistir ao processo de envelhecimento cria uma profecia que se cumpre por si mesma: aquilo que você teme torna-se realidade porque você o teme.

A resistência faz com que a pessoa se apegue à dimensão física e ao corpo. Este apego é uma negação e uma fuga da sua luz interior e isto tem uma série de consequências trágicas para o ser humano que envelhece.

- Primeiro, o corpo idoso poderia se beneficiar enormemente de uma conexão profunda com a alma. Quando uma pessoa se conecta com o plano da alma durante o processo de envelhecimento, a energia do reino espiritual flui com mais intensidade para seu corpo. O corpo é elevado e revitalizado pela luz e alegria desse reino e adquire força e saúde extras a partir disso; as doenças da idade idosa têm menos efeitos sobre ele. Mas se a consciência não se concentra no que existe para além do aspecto terreno e se agarra desesperadamente ao físico, o corpo tem que se manter sem essa energia adicional. Isto aumenta o risco de problemas de saúde.

- Em segundo lugar, na sociedade em geral, as pessoas mais velhas poderiam desempenhar um papel importante: o de transmitir conscientização espiritual e sabedoria para as gerações mais jovens que estão concentradas no reino físico e nas exigências da sociedade. Através de sua experiência de vida e crescente conexão com a dimensão da alma, o idoso tem uma influência positiva nos mais jovens ao compartilhar sua luz, suas percepções e sua compaixão. Ele pode oferecer uma perspectiva mais ampla das coisas e ouvir com paciência. Por natureza, todo mundo sente mais sabedoria, paz e serenidade nas pessoas mais velhas.

A influência positiva do idoso pode se expressar de diversas formas: desde uma personalidade espiritual influente até uma doce e sábia vovó para a qual toda a família se volta em busca de conselho. Inclusive, existem escritores, artistas e terapeutas de idade avançada, que estão fazendo um trabalho excepcional e, sem saber, inspirando muitas outras pessoas.Os idosos são a ponte entre o reino do atemporal e o mundo prático da vida cotidiana. A sociedade na qual o valor do idoso não é reconhecido é uma sociedade que perdeu a conexão com o espiritual. Vemos, então, uma sociedade que vive correndo freneticamente… olhe à sua volta.

Quando a pessoa que está envelhecendo não consegue assumir seu lugar natural na sociedade, tanto a sociedade quanto a própria pessoa sofrem. A vida de um idoso tende a se tornar solitária, pequena e aborrecida. Não é trágico que, justo na idade em que o ser humano está idealmente pronto para o trabalho espiritual, ele seja relegado a segundo plano?

Você já ouviu falar de algum escritor ou artista que desistiu quando completou 65 anos?

Imagine quantos livros maravilhosos e trabalhos de arte nós deixaríamos de ter se essas pessoas se deixassem levar pela regra insana de ter que parar de trabalhar a partir dessa idade!Neste momento, estou lendo as memórias de Claude Lanzmann, nascido em 1925, produtor do filme Shoah. A cada página fico mais encantado e comovido com a erudição, sabedoria e riqueza deste livro. De acordo com os padrões da nossa sociedade, este homem deveria ter se aposentado há vinte anos e não fazer mais nada. Absurdo! Os idosos estão sendo rebaixados e se rebaixando… o resultado é a degeneração física e mental.

ENVELHECIMENTO: 5 SUGESTÕES PARA TORNAR O CAMINHO MAIS LEVE

Para se encontrar um modo mais natural e digno de se envelhecer, nesta sociedade que mantém quadros tão negativos sobre a velhice, é necessária uma mudança radical de pensamento. Aqui estão algumas sugestões:

1. Esqueça tudo o que a sociedade lhe diz sobre envelhecer e ser idoso.

A visão da sociedade sobre o envelhecimento não é espiritual; não considera o ser humano como portador de uma alma eterna, mas como um organismo que gradualmente para de funcionar e se torna inútil. Entretanto, cada ser humano que vive a vida com o coração aberto e a mente aberta chegará à conclusão de que existe mais na vida do que apenas isso. A vida tem uma dimensão espiritual e, na verdade, esta dimensão é muito mais fundamental do que a física. Como idoso, você pode se conectar mais facilmente com essa dimensão e obter inspiração e força a partir dela.

2. Compreenda que nada se perde nunca.

Nada nem ninguém ficam “perdidos na noite”; tudo o que tem valor permanece. Uma das primeiras coisas que descobrimos, quando morremos e temos acesso ao outro lado, é que tudo ainda está lá. Os membros da nossa família e amigos queridos, o mundo da nossa infância, nossas experiências mais queridas – tudo ainda está lá. E podemos nos conectar com nossos entes queridos e reviver algumas experiências, se assim escolhermos – tudo está lá para nós.

Seguindo o fluxo da vida e nos entregando ao processo de envelhecimento, nós chegamos a esta dimensão atemporal onde tudo de real substância é preservado. Se tivermos a coragem de deixar ir, poderemos ter vislumbres dessa dimensão. Chegaremos, então, a compreender, no nível interno, que nada está perdido; e este conhecimento interior nos trará paz e serenidade.

3. Saia para o mundo. Este é o momento de deixar sua luz brilhar. Ela servirá à humanidade e aos seus companheiros humanos.

Os jovens geralmente não entendem os idosos. Como estes podem ser tão cordatos, pacíficos e felizes, enquanto enfrentam diariamente a perda da saúde e das capacidades, além da proximidade da morte? A resposta é que o idoso possui um conhecimento interior que o jovem não possui. O idoso geralmente foi marcado e amadurecido pelas experiências da vida que o tornaram mais manso e amável do que a média dos jovens.

A pessoa idosa teve que se desapegar e entregar com mais frequência. A partir daí desenvolveu uma equanimidade que lhe traz paz e felicidade. O idoso prestaria um grande serviço à sociedade e aos seus companheiros humanos mais jovens, se estivesse consciente dos seus próprios talentos e os compartilhasse. Observe sinceramente o que o mundo precisa hoje. Telefones novos, carros mais velozes? Não. Sabedoria, calma e tranquilidade. Não é isto que o idoso tem a oferecer?

4. Veja a relatividade dos papéis que as pessoas desempenham. Não os leve tão a sério.

A vida é um jogo. As pessoas (leia-se: os adultos), que estão completamente engajadas neste jogo, levam seus papéis muito a sério. Não se deixe levar demais pelo jogo; mantenha uma certa distância. Enxergue através dele; observe os jogadores desempenharem suas partes.

Enxergar a sociedade humana como um jogo que as pessoas jogam faz com que seja mais fácil desapegar-se dos padrões e expectativas envolvidos; faz com que seja mais fácil liberar as regras que você usava para jogar – como pai ou mãe, empregador, empregado, etc…– e abrir-se para um novo capítulo da sua vida.

Confie na vida. Confie que a vida lhe trará novas experiências, novos papéis que se ajustam melhor à pessoa que você é agora, não à pessoa que você foi. Ao deixar ir o passado e se entregar, você se abre para o novo e pode descobrir aspectos diferentes de si mesmo. Se você se agarrar a algo que não mais lhe serve, poderá surgir um sentimento de vazio e perda. Confie na vida e desapegue-se.

5. Deixe de se identificar com seu corpo e o mundo físico, e passe a identificar-se com sua consciência.

Identificar-se com seu papel no mundo físico e social é divertido e interessante, desde que entenda que isso é um jogo. Por um tempo, você fica completamente absorvido nele, depois o libera de novo. Deste modo, você passa por toda uma série de experiências e sua alma se enriquece com isso.Durante certo período da sua vida, é natural identificar-se com os papéis que você desempenha, mas também é natural, num dado momento, perceber quem você é por trás desse papel. Isto deve acontecer quando você fica mais velho.

Imagine que você está dirigindo um carro. Se você pensar que é o carro e alguma coisa acontecer com ele, isto será terrível! Mas, se entender que é o motorista, não será tão ruim: sabendo que não é o carro, você poderá simplesmente sair dele.Agora, fique de frente para um espelho e olhe para o seu reflexo: veja como seu rosto está ficando mais velho. Mas, por trás do seu rosto, dos seus olhos, há uma coisa que não envelhece e é atemporal: a sua consciência. Sinta-a.

Ao se identificar com sua consciência e não com seu corpo que está envelhecendo, você segue o fluxo natural do envelhecimento. A conexão com aquele que você realmente é, com a dimensão da sua alma, se aprofunda. Esta conscientização faz com que você brilhe com sabedoria e paz.

AS BÊNÇÃOS DA VELHICE

Não há nada de errado com uma população idosa. Para começar, porque pessoas mais velhas são, em média, mais felizes, portanto uma população idosa significa que a sociedade como um todo será mais satisfeita.O aumento proporcional da população idosa também significa o fim da desastrosa explosão populacional que tem causado o desaparecimento de tantas espécies animais e vegetais. Estamos caminhando para um futuro com menos pessoas na Terra e, portanto, a humanidade e a natureza estarão em maior equilíbrio.

Como resultado do aumento do número de pessoas idosas, será impossível ignorar e menosprezá-las. A sociedade será forçada a dar aos idosos seu devido lugar. E os próprios idosos serão desafiados a assumir esse lugar.Terá fim a lógica absurda que coloca à margem da sociedade as pessoas que, do ponto de vista espiritual, estão em sua idade mais fértil. Isto significa que os idosos não mais se esconderão, mas deixarão sua luz brilhar.

Os idosos trarão sabedoria, paz e tranquilidade à sociedade.

A humanidade se extraviou e precisa urgentemente se conectar com a realidade atemporal da alma. A sociedade que levar a sério as bênçãos e dons naturais da idade avançada será uma sociedade que se concentrará na harmonia entre os seres humanos e na harmonia com a Mãe Terra, em vez de perseguir o sucesso e exploração do nosso planeta.Será também uma sociedade na qual haverá menos medo da morte e da velhice. Envelhecer será percebido como um processo honroso e como um retorno à fonte de Luz da qual todos nós viemos.


Autor: Gerrit Gielen 
Fonte primária: www.jeshua.net
Fonte secundária: De Coração a Coração

Tradução: Vera Corrêa - veracorrea46@ig.com.br

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Gerrit Gielen - "Buracos negros dentro de nós"



Muitas pessoas constantemente se bombardeiam com pensamentos negativos: “Não posso fazer isto, isto não é para mim, sou fraco, preciso me esconder porque sou muito mau, o mundo não é um lugar seguro, isto provavelmente vai dar errado…” e assim por diante.

Como acontece isso? Por que fazemos isso?

O motivo desse comportamento autodestrutivo é que todos nós, em algum momento desta vida ou de vidas passadas, fomos traumatizados. Traumas são experiências negativas tão intensas que nossa personalidade não consegue lidar com elas; uma parte da nossa consciência se “congela” e fica presa no tempo.

Tomemos como exemplo alguém que, numa vida passada, vivenciou a ocupação do seu país durante uma guerra. Pessoas eram pegas nas ruas e, de repente, desapareciam; havia a constante ameaça de violência e não se podia sentir-se seguro em nenhum lugar.

A personalidade dessa vida passada sofreu intensamente um medo avassalador e não conseguiu lidar com essa situação pelo resto da sua vida.

Uma parte dessa pessoa foi traumatizada e ficou presa no tempo, presa na realidade da guerra e continua enviando mensagens à personalidade atual como se ainda estivesse na guerra: “A vida é perigosa, há muita violência ‘lá fora’, não se pode confiar nas pessoas, você é impotente.”

A personalidade atual não percebe que esses pensamentos persistentes estão relacionados com uma realidade muito diferente; ela simplesmente acredita nas mensagens e se acostuma a enxergar a vida através dos olhos da personalidade traumatizada daquela vida passada.

Desconhecidos são vistos com desconfiança, há sempre um mau pressentimento, um medo de violência e a crença de que é melhor se trancar em casa porque, se sair, é possível que não volte nunca mais.

O TRAUMA FUNCIONA COMO UM BURACO NEGRO

Nossa parte traumatizada é a maior fonte dos medos que sofremos. Observe que o medo sempre nos diz que existe alguma coisa lá fora que é perigosa, hostil e prejudicial. O medo nos faz focalizar o mundo externo como fonte de nossos problemas, e não o próprio trauma.

Se você tiver pavor de cachorros e estiver no mesmo ambiente que um cachorro, toda sua consciência estará concentrada nesse animal, excluindo tudo o mais que lá houver. Mas, na maioria das vezes, o cachorro não é o problema; a verdadeira questão é o seu medo de cachorro. Se continuar focalizando o que está fora de você, sua percepção ficará distorcida.

Seu foco está sempre naquilo que lhe dá medo e, assim, você tende a vê-lo em todo lugar; seu medo exagera o perigo real e você perde muita energia evitando-o. Este padrão reativo cria um círculo vicioso; o medo reduz a sua percepção da realidade de tal modo, que ela parece confirmar e justificar ainda mais os seus medos.

Ao ler o jornal, sua atenção é automaticamente atraída para as notícias sobre cães que atacaram pessoas ou que transmitem doenças infecciosas. Ao caminhar pelas ruas, os cachorros parecem olhar para você de forma ameaçadora, prontos para atacá-lo.

Este círculo vicioso mantém sua parte traumatizada presa e essa parte sua não consegue se libertar enquanto esse círculo não é quebrado. Uma parte traumatizada da personalidade, presa num círculo vicioso, pode ser vista como um buraco negro dentro de nós. Ela suga energia, ela suga a luz e nos leva de volta ao passado, a momentos no tempo em que nossa consciência ficou congelada e presa.

Eu mesmo tenho um medo inato de viajar. Quando viajei para a França neste verão, eu sentia constantemente que o carro poderia quebrar e via sinais disso em tudo. Pouco antes de partirmos, o cinto da minha calça quebrou – “Mau sinal”, pensei.

Na estrada eu notava carros quebrados por todo lado. Quando paramos para descansar num estacionamento, eu pensei ter visto vestígios de óleo atrás do nosso carro. No painel do carro, apareceu uma mensagem dizendo para irmos a um posto trocar o óleo da caixa de câmbio (depois descobrimos que isso foi um erro do computador do painel).

Em outro momento, reparei numas ferramentas na parte de trás do automóvel, o que me fez achar que era sinal de que ele precisava de conserto. E assim por diante…

Durante a viagem, decidi voltar-me para o meu interior, para o meu buraco negro. Lá eu vi um homem deitado à beira de uma estrada, mas só podia enxergar suas costas. Ao me aproximar dele, fiquei chocado; vi que ele tinha sido apunhalado no rosto e nos olhos. Ele estava longe de sua casa, e as pessoas dali não tinham confiado nele e fizeram isso com ele. O homem morreu pensando no seu lar e desejando nunca tê-lo deixado.

No passado, eu raramente viajava e nem dirigia um automóvel. Pensava que tinha muitas boas razões para esse comportamento, mas não tinha consciência do buraco negro dentro de mim. Agora, viajo constantemente e muitas viagens que fazemos me trazem grande alegria. Por todo o mundo, temos encontros maravilhosos com pessoas que pensam como nós e gostamos de visitar lugares bonitos na natureza.

É praticamente impossível discutir com uma pessoa que esteja num buraco negro, isto é, que tenha uma percepção estreita e baseada no medo de determinada questão. Se você tentar, ela imediatamente lhe apontará inúmeros “fatos” e razões que sustentam sua visão do mundo. Ela se recusa a se abrir para a possibilidade de que seu próprio medo – e não o mundo exterior – seja o verdadeiro problema.

Está convencida de que seu medo é causado por ameaças verdadeiras do mundo externo e, portanto, é razoável e justificado. Se você não concordar com ela, poderá ter que ouvir que é você que está sendo ingênuo, recusando-se a ver os fatos óbvios que estão bem diante do seu nariz.

Quanto maior o medo, mais rígidas e firmes são as crenças. Muitos sites da internet, que estão cheios de previsões sinistras e teorias de conspiração, originam-se de buracos negros no nível interno.

Buracos negros podem tornar-se tão poderosos, que sugam e assumem toda a personalidade; em tais casos, manifesta-se a paranoia (desconfiança extrema). Tudo que as pessoas falam ou fazem é interpretado de modo negativo, de modo que a comunicação normal se torna impossível.

Ameaças e conspirações são percebidas por todo lado. Amigos e familiares que tentam quebrar o encanto dessas obsessões são vistos com se estivessem sob a influência de forças maléficas. A personalidade paranoica torna-se completamente isolada e aprisionada dentro da sua própria mente.

Até certo ponto, todos nós sofremos de paranoia. Quase todos nós temos algum buraco negro interno, relacionado com uma questão em particular, que distorce nossa percepção e nosso relacionamento com outras pessoas.

O QUE VOCÊ PODE FAZER?

1. Perceba que existe um buraco negro dentro de você.

O primeiro passo – e o mais importante – é reconhecer que uma parte de você foi traumatizada e está lhe enviando mensagens que não são corretas. Sempre que perceber que seus pensamentos são particularmente negativos, ou sempre que se sentir exageradamente amedrontado com alguma coisa e esperar pelo pior, esteja preparado para voltar-se para o interior de si mesmo, para o buraco negro, e encarar a parte traumatizada.

Faça a si mesmo as seguintes perguntas: “Será que existe um buraco negro dentro de mim? Será que existe uma parte traumatizada de mim que distorce toda a minha visão da realidade? Uma parte que me fecha a todas as coisas boas e positivas que acontecem à minha volta? A minha visão da realidade e atitude para com as pessoas são baseadas no medo ou no amor?”

2. Entre no buraco negro.

Entre no buraco negro, não para sofrer, mas para levar luz e amor a essa sua parte. Faça uma imagem dessa parte traumatizada. Imagine, por exemplo, que ela é uma criança perdida e perceba que ela precisa de muito amor e carinho. Conecte-se com essa criança, fite-a nos olhos e sinta o que é necessário para que ela libere gradualmente o medo.

Toda vez que se pegar abrigando pensamentos negativos, sentimentos sombrios ou medos irracionais a respeito da vida, das pessoas ou da sociedade, tome coragem e vá para dentro de si mesmo. Procure o buraco negro no seu interior – a prisão da parte traumatizada. Esteja presente como um anjo amoroso, levando conforto, confiança, tranquilidade e luz.

3. Diga a verdade a si mesmo.

O Evangelho de João diz: “A verdade vos libertará.” Palavras que são verdadeiras carregam um poder imenso. A verdade tem origem no amor e não no medo. Sinta o amor disponível no universo; sinta o amor da mãe Terra pela humanidade; sinta o amor dentro de você mesmo e aproxime-se da sua parte traumatizada a partir desse amor. A partir dessa fonte, formule algumas sentenças curtas e repita-as frequentemente em voz alta.

Por exemplo:

- A vida é boa para mim.
- A Terra ama a humanidade e nos ajuda.
- A humanidade está despertando e tornando-se mais consciente da sua unidade; esta unidade está começando a se manifestar em todos os lugares.

Verbalizar este tipo de mensagem verdadeira é um instrumento poderoso quando se deseja abandonar pensamentos baseados no medo.

Hoje em dia existe muita literatura sobre “pensamento positivo”. As pessoas se postam diante do espelho e começam a repetir afirmações positivas para si mesmas. Isto só faz sentido se essas mensagens forem verdadeiras; e elas são verdadeiras quando são baseadas no amor.

Alguém pode repetir para si mesmo: “Sou rico, sou rico!”, na esperança de que a realidade se ponha de acordo com sua intenção. Mas será que essa afirmação é baseada no amor? Ou no medo da carência, no medo de que o universo não tome conta dele? Se este for o caso, a afirmação não funcionará.

Antes de começar a repetir afirmações incessantemente, volte à fonte. Conecte-se com o amor no fundo do seu coração e veja que mensagens vêm à tona. Comece por amar a si mesmo e acolher sua parte traumatizada. Afirmações baseadas no medo não funcionam.

Se a afirmação for correta, não é realmente essencial que você a repita com frequência.

Já lhe aconteceu de alguém lhe dizer alguma coisa que calou fundo em você, que lhe soou como uma verdade profunda? Foi necessário ficar repetindo essa mensagem o tempo todo? Provavelmente não.

Se uma sentença é dita em voz alta com a intensidade correta, não é preciso repeti-la tantas vezes. Uma vez por dia é o suficiente.

Entretanto, o primeiro e mais importante passo, neste processo de três etapas, é encarar honestamente o buraco negro em seu interior. Assim que perceber que o medo está distorcendo sua percepção, você poderá começar a acolher esse medo com amor, e a partir desse amor, encontrar afirmações que sejam verdadeiras e eficazes.


Autor: Gerrit Gielen
Fonte secundária: De Coração a Coração

Tradução: Vera Corrêa - veracorrea46@ig.com.br